Starbuck
Deuteragonist
Análise profunda de Starbuck em Moby Dick. Explore sua luta moral, rivalidade com Ahab, e converse com ele na Novelium.
Quem é Starbuck? — A Consciência do Pequod
Starbuck é o primeiro oficial do Pequod, subordinado de Ahab, e o centro moral de Moby-Dick. É um baleeiro de Nantucket de princípio profundo, um homem de fé e razão que se torna o maior conflito interno do romance. Enquanto Ahab persegue sua vingança monomaniaca contra a baleia branca, Starbuck observa com horror e temor crescentes. Ele não é o protagonista da história, mas é o personagem com o qual os leitores mais se identificam. Ele compreende a loucura da busca de Ahab antes de qualquer outro, e sua incapacidade de detê-la se torna uma tragédia dentro da tragédia maior.
A significância de Starbuck reside no que ele representa: a voz da sanidade em um mundo insano, o puxão do dever contra o puxão da consciência. Ele é capaz, experiente, e genuinamente bom. Porém, Melville nos mostra que bondade sozinha não é suficiente para parar a maquinaria do destino ou a tirania de um homem consumido por obsessão. A luta de Starbuck não é com a baleia, mas consigo mesmo, com sua obediência à autoridade, e com seu desamparo em mudar o curso do fim do Pequod.
Psicologia e Personalidade — O Homem Racional Louco
A psicologia de Starbuck é definida por tensão interna. Ele é um homem de forte convicção religiosa, casado com filhos esperando em casa, e motivado por orgulho profissional e dever. Estes elementos criam nele um conflito quase insuportável quando confrontado com a busca suicida de Ahab. Sua psicologia pode ser entendida como dividida entre duas vozes: a voz da razão, dever para com sua tripulação, e fé na providência; e a voz de obediência, hierarquia, e seu comprometimento com Ahab como capitão.
O que torna Starbuck complexo é que ele reconhece as dimensões morais do problema. Ele não simplesmente aceita os comandos de Ahab entorpecidamente. Em vez disso, Melville nos dá acesso à angústia interior de Starbuck. Ele vê Ahab como capitão e louco simultaneamente. Ele compreende que estão sendo conduzidos ao aniquilamento. Seu famoso solilóquio revela um homem profundamente com medo, não da baleia em si, mas de participar de algo injusto e insano.
O medo de Starbuck não é covardia, mas sabedoria. Ele consegue imaginar o mundo além do Pequod, as famílias esperando, a possibilidade de uma vida normal. Esta capacidade imaginativa, que seria uma força na maioria das circunstâncias, se torna uma fraqueza quando confrontada com a vontade inexorável de Ahab. A personalidade de Starbuck é fundamentalmente decente. Ele trata a tripulação com justiça, se preocupa com seu bem-estar, e funciona de princípio ético genuíno. Porém, o romance sugere que decência pessoal significa pouco contra forças maiores.
Arco do Personagem — De Obediência a Rebelião a Rendição
O arco de Starbuck é um de consciência crescente e poder decrescente. Ele começa o romance como um marinheiro profissional, leal e comprometido. Conforme a jornada do Pequod se desenrola, porém, ele se torna cada vez mais consciente do perigo e ilegalidade da busca de Ahab. O ponto de virada vem quando ele realmente compreende a fixação de Ahab: esta viagem não é uma expedição baleeira ordinária mas uma vingança pessoal usando recursos da companhia e vidas dos homens como instrumentos.
Starbuck passa por várias fases. Primeira é o reconhecimento, onde ele compreende o que está acontecendo. Segunda é a luta interna, onde ele considera motim ou oposição direta a Ahab. Este momento vem mais poderosamente quando Ahab está dormindo e Starbuck está armado. Aqui, Melville nos mostra Starbuck realmente considerando matar Ahab para salvar o navio e a tripulação. Mas Starbuck não consegue fazer. Sua obediência, sua fé religiosa, e sua suposição de que tal ato está além de seu direito como subordinado o impedem.
A fase final é rendição. Starbuck desiste. Ele aceita que não pode mudar o curso dos eventos. Esta aceitação não é paz mas resignação, uma espécie de exaustão espiritual. No momento do encontro final com a baleia branca, Starbuck já perdeu a luta interna. Ele luta bravamente no final, mas já aceitou seu destino. Suas últimas palavras, “Ó Deus, fique comigo agora”, representam seu apelo final a uma autoridade maior que a de Ahab, uma que não pode ou não responderá.
Relacionamentos-Chave — Preso Entre Ahab e Misericórdia
Os relacionamentos de Starbuck definem sua posição e sua agonia. Com Ahab, ele experimenta a dinâmica de capitão e subordinado empurrada para seu limite moral. Ahab respeita a competência de Starbuck enquanto fica furioso com suas objeções morais. Ahab sente que Starbuck duvida dele, e isto cria tensão que intensifica conforme a viagem progride. O famoso discurso de Ahab, “Ele me desafia; ele me sobrecarrega”, revela que ele está ciente da rebelião interna de Starbuck, e isto apenas aprofunda a determinação de Ahab.
Com a tripulação, Starbuck tem um relacionamento de responsabilidade. Ele se importa com seu bem-estar e sente o peso de ser o oficial que eles devem seguir. Esta responsabilidade agrava sua crise moral. Ele não está apenas questionando Ahab em seu próprio benefício mas no deles. Starbuck se vê como seu protetor, mas é forçado a levá-los em direção à destruição.
Com o Pequod em si, Starbuck tem um relacionamento quase paternal. Ele conhece o navio intimamente, navega bem, e o ama da forma que marinheiros experientes fazem. Quando ele observa Ahab impulsionando o navio em direção à catástrofe, sente não apenas suicídio mas como se estivesse vendo uma coisa amada ser destruída.
O relacionamento de Starbuck com sua família ausente, embora nunca diretamente mostrado, assombra o romance. Sabemos que ele tem uma esposa e filho em casa. Este conhecimento de uma vida alternativa, uma vida de paz e propósito, torna seu aprisionamento no Pequod mais tocante. Ele é um homem que sabe o que quer e não consegue ter.
O Que Conversar Com Starbuck — Questões Para as Conversas de Voz
Na Novelium, conversas com Starbuck poderiam explorar o terreno moral e psicológico profundo que ele habita:
“Quando você teve a chance de matar Ahab enquanto ele dormia, o que o impediu?” Isto chega ao coração do conflito interno de Starbuck e o convida a explorar suas próprias razões para inação.
“Você acha que Ahab era louco desde o início, ou a baleia o enlouqueceu?” Isto permite que Starbuck reflita sobre a natureza da obsessão e quando ela se torna destrutiva.
“Se você pudesse voltar e fazer uma escolha diferente, o que faria?” Isto convida reflexão sobre agência, remorso, e se algo poderia ter mudado o resultado.
“O que você acha que a baleia branca representa para Ahab?” A perspectiva de Starbuck sobre a obsessão de Ahab é diferente da do leitor, e sua interpretação seria iluminadora.
“Como você viveu com o peso de saber o que estava vindo?” Isto aborda o fardo psicológico de consciência e desamparo.
“Você se culpa pelo que aconteceu?” Isto explora culpa, responsabilidade, e se Starbuck poderia ter feito algo diferente.
Estas conversas na Novelium permitiriam aos usuários explorar não apenas o que acontece em Moby-Dick, mas por que acontece, e o que significa ser uma pessoa boa presa em uma situação impossível.
Por Que Starbuck Marca Leitores — A Tragédia da Bondade
Starbuck afeta leitores porque representa um tipo específico de tragédia: a tragédia de estar certo mas desempoderado. Ele não é ambicioso, não é consumido por desejo, não é impulsionado por ego. Ele é honesto, fiel, e bom. A perspectiva profunda do romance é que estas virtudes não são suficientes. Elas podem nem ser úteis quando confrontadas com a vontade absoluta de alguém.
Leitores se reconhecem em Starbuck, ou pessoas que conhecem. Todos experimentaram situações onde podemos ver claramente que algo estava errado mas nos sentimos incapazes de impedi-lo. Todos sentimos o peso da hierarquia e obediência pressionando contra nossa consciência. Starbuck é todo homem enfrentando a escolha impossível entre cumplicidade e rebelião, entre auto-preservação e ação moral.
O que torna Starbuck particularmente poderoso é que Melville nos dá sua interioridade. Estamos dentro de sua cabeça enquanto ele luta. Testemunhamos sua clareza moral, seu medo, sua genuína consideração de motim, e sua capitulação final. Isto torna sua tragédia pessoal e íntima em vez de distante e histórica.
Starbuck também marca leitores porque sugere algo desconfortável sobre a condição humana: que frequentemente não somos os heróis de nossas próprias histórias. Frequentemente somos atores coadjuvantes na tragédia de alguém. Podemos ser sábios, bons, e corretos, e ainda assim sermos arrastados por forças que não podemos controlar. O romance sugere que a vida não é uma meritocracia onde bondade é recompensada. Em vez disso, é um cosmos de forças indiferentes onde nossa virtude importa principalmente a nós mesmos.
Citações Famosas
“Estou ligado àquele homem por cordas tecidas pelas próprias cordas do meu coração. Não consigo escapar dele, com todos os oceanos da terra entre nós.”
“Um homem pode, em verdade, ser louco, e ser apenas mais livre por isso.”
“Ele amontoou sobre a corcova branca da baleia a soma de toda a raiva e ódio geral sentido por toda sua raça desde Adão para baixo; e então, como se seu peito fosse um morteiro, ele explodiu seu coração quente nela.”
“Não vou ter nenhum homem em meu bote que não tenha medo de uma baleia.”
“Todo este feito mais maravilhoso não estava muito longe de ser realizado, quando eis! um grito foi ouvido pelo ar ensolarado e claro da cabine, e olhando para cima vimos um dos rápidos levantamentos do mar, comumente chamado de Baleia Branca.”