Lady Macbeth
Deuteragonist
Explore Lady Macbeth de Shakespeare: ambição, culpa e colapso psicológico. Converse com ela no Novelium.
Quem é Lady Macbeth?
Lady Macbeth é uma das personagens mais complexas de Shakespeare: uma mulher de inteligência feroz e ambição implacável que impulsiona seu marido rumo ao assassinato e ao poder. Ela não é uma participante passiva nos eventos da peça; é a arquiteta do assassinato de Duncan, a estrategista, aquela que questiona a coragem de seu marido e o manipula para ação. Mas sua trajetória ao longo da peça é uma de deterioração psicológica. Ela começa como uma mulher convencida de que pode compartimentalizar moralidade, suprimir sua consciência e aproveitar os frutos do mal. Ao final da peça, é destruída pela culpa que afirmava poder superar. Lady Macbeth representa a ilusão de que se pode cometer mal sem consequência moral, que o poder vale qualquer preço. Sua descida à loucura e ao suicídio é uma declaração profunda sobre a impossibilidade de escapar da consciência através da vontade apenas.
Psicologia e Personalidade
Lady Macbeth é psicologicamente fascinante porque tenta se separar de sua própria humanidade. Quando Macbeth lhe conta sobre a profecia das bruxas, ela reconhece que Macbeth é “cheio de leite da bondade humana” para cometer assassinato. Ela faz uma escolha consciente de se tornar mais dura, mais implacável, mais capaz do mal. Ela clama a forças escuras para “me desexualizar aqui”, para privá-la de qualidades femininas (compaixão, misericórdia, ternura) para que possa se tornar capaz de assassinato.
O que é significativo é que Lady Macbeth acredita que essa transformação é possível através de força de vontade. Ela acredita que se for firme o suficiente, se for forte o suficiente, pode cometer mal sem ser corrompida por isso. Ela está completamente errada sobre isso, mas sua convicção é real e poderosa.
Ela é intelectualmente superior a Macbeth na primeira metade da peça. Ela pensa mais claramente, planeja mais cuidadosamente e manipula mais habilmente. Ela reconhece que Macbeth sentirá culpa e prepara uma estratégia: “um pouco de água nos limpa desta ação.” Ela genuinamente acredita que as consequências psicológicas e morais do assassinato podem ser apagadas, que ação prática (cobrir o crime, desempenhar lealdade aos herdeiros do rei) é suficiente.
O que quebra Lady Macbeth é a realização de que culpa não pode ser suprimida, que suas tentativas de desexualizar a si mesma e escapar da consciência falharam. Ela não pode “limpar” o sangue de suas mãos através da água. Ela se torna obcecada em lavar, um ritual compulsivo que sugere que sua consciência encontrou expressão mesmo que sua vontade tentasse fechá-la.
Arco de Personagem
O arco de Lady Macbeth é um de confiança moral seguido por colapso completo. Ela começa como uma mulher de certeza, convencida de que compreende o mundo e seu lugar nele. Ela manipula Macbeth com confiança. Ela lhe diz como se comportar na corte de Duncan. Ela o tranquiliza após o assassinato. Ela está no controle.
O ponto de virada vem quando Macbeth começa a cometer assassinatos sem consultá-la. Ele assassina Banquo e tenta assassinar a família de Macduff por sua própria iniciativa. Lady Macbeth não tem mais influência sobre suas ações. Mais importante, os assassinatos se acumulam, e se acumulam sem benefício. Cada novo crime é necessário apenas porque já cometeram crimes anteriores. O ciclo é autoperpetuador, e a justificação original de Lady Macbeth (que este assassinato os colocará em segurança) se revela ingênua.
Seu colapso psicológico é gradual mas acelerador. Ela está ausente de grande parte da segunda metade da peça, e quando a vemos novamente, foi destruída pela culpa que afirmava poder superar. Ela caminha dormindo, falando seus crimes em revelação inconsciente do que sua mente acordada não pode reconhecer. Ela tenta obsessivamente limpar suas mãos, clamando por água que não pode purificalá. Seu ato final é suicídio, uma saída de uma realidade que não pode mais suportar.
Relacionamentos-Chave
O relacionamento de Lady Macbeth com Macbeth é o relacionamento central da peça. Ela é a força motriz por trás de seu crime inicial, mas também é a pessoa de quem mais se afasta conforme sua tirania se aprofunda. Ela queria poder, mas talvez não tenha antecipado se tornar a esposa de um ditador consumido pela paranoia. Ao final da peça, Macbeth apenas a reconhece. Quando sua morte é reportada, sua resposta é quase insensível: “Ela deveria ter morrido depois. Teria havido tempo para tais palavras.”
Essa deterioração de seu relacionamento reflete a trajetória moral de Lady Macbeth. Ela queria influenciar Macbeth, torná-lo mais forte e mais ambicioso. Mas conseguiu demais. O Macbeth que criou não é mais um homem que pode controlar ou mesmo comunicar de forma significativa. Ela destruiu seu próprio poder através de seu sucesso em corrompê-lo.
Seu relacionamento com Duncan é significativo através de sua ausência. Ela manipula a situação que leva a seu assassinato, mas nunca confronta Duncan diretamente. É uma mulher operando através de seu marido, usando sua posição de confiança, explorando sua lealdade. Essa ação indireta é consistente com sua posição como mulher em uma sociedade patriarcal, mas sua responsabilidade moral pela morte de Duncan é completa.
Sobre o que Conversar com Lady Macbeth
No Novelium, você poderia perguntá-la sobre o momento em que clamou a forças escuras para desexualizá-la. Ela verdadeiramente acreditava que poderia suprimir sua consciência? O que estava pensando quando se convenceu de que água poderia limpar sangue?
Você poderia explorar seu relacionamento com culpa. Quando ela percebe que sua estratégia de compartimentalização psicológica não está funcionando? O que significa o caminhar dormindo para ela? Ela está ciente do que está dizendo?
Conversas poderiam se centrar em seu relacionamento com Macbeth. Ela o amava, ou o manipulava porque precisava dele para alcançar suas ambições? O que sente quando ele para de consultá-la e age independentemente?
Você poderia perguntá-la sobre poder. Ela queria ser rainha, ter influência, ser significante. Ela alcançou o que queria? O poder que ganhou valia o preço que pagou?
Mais diretamente, você poderia perguntá-la se escolheria diferente se pudesse retornar ao momento antes da profecia das bruxas. Ela ainda escolheria ambição se entendesse o custo?
Por que Lady Macbeth Muda os Leitores
Lady Macbeth é poderosa porque desafia as suposições dos leitores sobre gênero, moralidade e a capacidade humana para o mal. Ela não é fraca ou passiva; é poderosa e ativa. Mas seu poder é exercido através de manipulação e ação indireta, constrangida por sua posição como mulher em uma sociedade patriarcal. Ela deve trabalhar através de seu marido porque não pode agir diretamente.
O que toca os leitores em Lady Macbeth é sua convicção genuína de que pode superar sua consciência através de vontade. Essa convicção é simpática de uma forma; sugere esperança de que podemos nos refazer, superar nossas limitações. Mas a peça mostra que essa esperança é falsa, que consciência não pode ser permanentemente suprimida, que culpa encontrará expressão mesmo que a mente acordada a negue.
Lady Macbeth também levanta questões sobre cumplicidade e responsabilidade. Ela não empunhou a faca que matou Duncan, mas planejou o assassinato e manipulou seu marido para ação. Quão responsável é? A peça sugere que cumplicidade é completa; sua culpa é tão real e destrutiva quanto a de Macbeth, mesmo que suas ações fossem indiretas.
Sua loucura e suicídio criam uma simetria trágica com Macbeth. Ambos são destruídos por sua ambição e seus crimes. Ambos perdem sua humanidade através de sua busca por poder. Nenhum escapa da consciência, apesar de suas tentativas. A decomposição de Lady Macbeth é talvez mais devastadora que a de Macbeth porque ela está completamente sozinha em seu sofrimento. Macbeth tem ação (matar inimigos) para distraí-lo; Lady Macbeth tem apenas sua culpa, sem válvula e sem alívio.
Citações Famosas
“Desexualiza-me aqui e enche-me da coroa ao pé do topo-cheio de crueldade mais terrível.”
“Um pouco de água nos limpa desta ação. Como é fácil então.”
“Fora, mancha maldita! Para fora, digo! Um, dois. Por quê, então, é hora de fazê-lo.”
“O que foi feito não pode ser desfeito.”
“O que há em um nome? Aquilo que chamamos de rosa por outro nome cheiraria tão doce.” (Romeu e Julieta, mas Lady Macbeth fala sobre a futilidade de distinções morais)